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terça-feira, 24 de abril de 2007

Correio da Bahia: arquitetura da informação e narrativas jornalísticas

Yuri Almeida, jornalista e
pós-graduando em
Jornalismo Contemporâneo
pela Faculdades Jorge Amado
almeidayuri@hotmail.com




No artigo "A Base de Dados como espaço de composição multimídia", Elias Machado citando Rosenfeld e Morville, estabelece que "arquitetura da informação é o desenho da organização, etiquetagem, navegação e sistemas de buscas para ajudar o usuário a encontrar e gerir mais adequadamente a informação, através de uma interface".


A forma em que está estruturada o conteúdo, influencia o método de relacionamento jornal x usuário e a própria navegabilidade no sítio. A versão digital do Correio da Bahia possui um caráter meramente transpositivo, onde não foi realizada nenhuma inovação para este produto.


As editorias do on-line são semelhantes a da versão impressa, limitando as experiências dos seus leitores na Web. O layout proporciona ao usuário apenas um tipo de navegabilidade e acesso ao conteúdo, uma vez que o modelo para a organização visual obedece a um único formato. São 12
editorias que utilizam a mesma "carcaça" para a apresentação do conteúdo.




Capa digital do Correio da Bahia (23/04/07)


Narrativas Jornalísticas



João Canavilhas em "Webjornalismo: da pirâmide invertida à primâmide deitada", sustenta que usar a técnica da pirâmide invertida (padrão adotado pelas mídias impressas, onde as informações mais importantes da matérias devem constar na introdução - lead - do texto) na web é cercear o webjornalismo de uma das suas potencialidades mais interessantes: a adoção de uma arquitetura noticiosa aberta e livre navegação. E é justamente essa a lógica (de cercear o wejornalismo) do Correio da Bahia em sua versão digital.


O conteúdo digital é oriundo da versão impressa, que é totalmente publicado no sítio sem nenhuma adaptação textual, uso de links, hipertextos, arquivos multimída e outros elementos (como a possibilidade de comentar determinada matéria, enviar erros, enviar por e-mail) que garantam a interatividade com o usuário.


Enquanto Canavilhas aponta que as narrativas digitais precisam ofertar aos usuários a possibilidade de navegar dentro das notícias, através do que ele chama de pirâmide deitada ¹, o Correio da Bahia mantem a estrutura linear do impresso sem introduzir novos elementos ao produto.


Nota
1- Seguno Canavilhas, a pirâmide deitada seria estrutura em quatro níveis:
a) unidade base - o lead - responderá ao essencial: O quê, Quando, Quem e Onde.
b) nível de explicação responde ao Por Quê e ao Como, complementando a informação essencial sobre o acontecimento.
c) nível de contextualização é oferecida mais informação - em formato textual, vídeo, som ou infografia animada - sobre cada um dos W's.
d) nível de exploração, o último, liga a notícia ao arquivo da publicação ou a arquivos externos.




Bibliográfia consultada
Módulo da disciplina Jornalismo Online,
ministrada pela Profa. Suzana Barbosa.

domingo, 22 de abril de 2007

Uma análise do jornalismo digital de A Tarde, Correio da Bahia e Tribuna da Bahia

Como parte integrante dos exercícios da disciplina Jornalismo Online, integrante da matriz curricular do curso de pós-graduação Jornalismo Contemporâneo (Faculdades Jorge Amado)ministrada pela Prof. Dra. Suzana Barbosa, apresentamos uma análise do estágio, estrutura da informação e das narrativas jornalísticas adotadas pelos jornais A Tarde, Correio da Bahia e Tribuna da Bahia, com o suporte teórico dos textos trabalhados em sala de aula e da referência bibliográfica sugerida.

Correio da Bahia: estágio e estrutura da informação da versão on-line

Yuri Almeida, jornalista e
pós-graduando em
Jornalismo Contemporâneo
pela Faculdades Jorge Amado
almeidayuri@hotmail.com
Apesar do Correio da Bahia ser o primeiro jornal da Bahia na Internet (96), continua estagnado na primeira geração de Webjornalismo.
No artigo "Sistematizando alguns conhecimentos sobre jornalismo na web", Luciana Mielniczuk, estabelece três etapas classificatórias para o desenvolvimento do jornalismo na web:
  1. Webjornalismo de primeira geração;
  2. Webjornalismo de segunda geração e
  3. Web jornalismo de terceira geração.
Na primeira etapa os produtos oferecidos eram reproduções de partes dos grandes jornais impressos, que passavam a ocupar o espaço na internet, configurando-se em um caratér meramente transpositivo. Mielniczuk revela que "a rotina de produção de notícias é totalmente atrelada ao modelo estabelecido nos jornais impressos e parece não haver preocupações com relação a uma possível forma inovadora de apresentação das narrativas jornalísticas".

Segundo Mielniczuk, a segunda geração seria simbolizada como metáfora, onde os veículos usam a estrutura das antigas mídias impressas para desenvolvimento da versão digital. Na terceira geração, os produtos jornalísticos exploram e aplicam as potencialidades oferecidas pela Web para fins jornalísticos.

Na home page do Correio da Bahia percebe-se uma reprodução e organização integral do que seria a versão impressa, com as respectivas editorias e lógica de comercialização do espaço. O www.correiodabahia.com.br, é apenas um produto para ocupar um espaço na Web, não compreendendo as necessidades dos usuários desse meio, os desafios e oportunidades da grande rede.

Continuidades

Do ponto de vistal editorial, a Web possibilita inovação de linguagem, ruptura com os modelos de produção de conteúdo e transformação das narrativas jornalísticas com a incorporação da multimídia, por exemplo. Até a função do usuário que lê na internet, sofre transformações, visto que, este deixa de ser mero receptor de notícias para interferir e produzir o próprio conteúdo. (Moherdaui, 2006).

Comercialmente, Ernani Neto, no artigo intitulado "O contexto empresarial do jornalismo on-line" explica que a world wibe web passa a ser "encarada como um meio de comunicação específico (com um audiência definida, estilos de interação diferenciados e características próprias de design e estética, atraindo a atenção dos veículos de massa tradicionais." Porém, o Correio da Bahia ainda não entrou no "ar".

Faltam Multimidialidade/Convergência dos conteúdos, não existe um arquivo audiovisual, infografia, slide show, assim como não há interatividade com o leitor, através de enquetes, fóruns, participação no veículo ou compartilhamento de conteúdo. A narrativa jornalística não explora a hipertextualidade, links, e não permite que o usuário tenha algum tipo de interação com a matéria, seja um simples botão para enviar a matéria por e-mail ou fazer correções gramaticais ou de dados e muito menos existe a personalização do conteúdo, uma vez que a sociedade é estruturada em valores individualistas, onde para o indivíduo urge a necessidade em ser único, singular.

Memória e Atualização

Marcos Palacios no artigo "Jornalismo Online, Informação e Memória: apontamentos para debate", sinaliza que com a Web "abre-se a possibilidade de disponibilizar online toda a informação anteriormente produzida e armazenada, através da criação de arquivos digitais, com sistemas sofisticados de indexação e recuperação da informação". Mas, o Correio da Bahia conduz a Memória do jornal de uma forma simplista, ao adotar como instrumento de busca de informação por editoria/dia/mês/ano, quando o ideal seria alternativas por palavra-chave, temas ou frases.

Outro ponto argumentado por Palacios, é a possibilidade de instantaneidade, já que "a rapidez do acesso, combinada com a facilidade de produção e de disponibilização, propiciadas pela digitalização da informação e pelas tecnologias telemáticas, permitem uma extrema agilidade de actualização do material nos jornais da Web". Contudo, o Última Notícias do Correio da Bahia, remete para o link do portal regional IBAHIA, que integra a Rede Bahia, do qual o jornal integra.
Referências bibliográficas consultadas:
MIELNICZUK, Luciana. Sistematizando alguns conhecimentos sobre jornalismo na web. Salvador: Calandra, 2003.
NETO, C. Ernani. Sistematizando alguns conhecimentos sobre jornalismo na web. Salvador: Calandra, 2003.
PALACIOS, Marcos. Jornalismo online, informação e memória: apontamentos para debate. Paper apresentado no painel Informação e Jornalismo no evento Jornadas sobre Jornalismo On-line, Universidade da Beira Interior, Portugal, 21 de 2002.